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Depois da Copa do Mundo, a próxima decepção dos brasileiros será o resultado das eleições

Lula e Flávio Bolsonaro representam dois dos principais polos da disputa política brasileira. Mas uma pergunta permanece no debate sobre inclusão: a diversidade defendida nos discursos também aparece na composição das chapas que disputam o poder?

Da Redação

Depois da Copa do Mundo, a próxima grande expectativa dos brasileiros será o resultado das eleições. E, independentemente de quem vencer, uma pergunta permanecerá sobre a mesa: o Brasil finalmente vai mudar?

Não importa qual lado vai chorar ou sorrir na noite da apuração. O que realmente importará será aquilo que acontecer no dia seguinte.

O Brasil chega às eleições carregando mais do que uma disputa entre candidatos. Chega marcado pela polarização política, pelo desgaste das instituições, pela desconfiança de parte da população em relação ao sistema de Justiça e pelos sucessivos episódios que colocaram o Supremo Tribunal Federal (STF) no centro do debate público.

Os brasileiros estão cansados de assistir a disputas de poder enquanto problemas concretos permanecem à espera de soluções.

Saúde, segurança, educação, emprego, impostos, infraestrutura e custo de vida não podem continuar sendo apenas argumentos de campanha. Precisam se transformar em prioridades de governo.

Também será necessário reconstruir algo que nenhuma eleição consegue produzir por decreto: a confiança nas instituições.

O STF, o Congresso Nacional, o Executivo, o Ministério Público e todas as demais instituições da República precisam compreender que autoridade não se sustenta apenas pelo poder conferido pela Constituição. Sustenta-se também pela credibilidade, pela transparência, pela coerência e pela percepção de que as regras são aplicadas com equilíbrio.

Os próximos quatro anos serão maiores do que uma disputa entre esquerda e direita, entre governo e oposição ou entre vencedores e derrotados.

Serão um teste para o Brasil.

O eleitor poderá escolher um presidente, governadores, deputados e senadores. Mas, depois da eleição, todos terão de conviver com as consequências das escolhas feitas nas urnas.

E é aí que estará o verdadeiro resultado.

Porque o brasileiro não precisa apenas de um vencedor eleitoral. Precisa de um país que funcione.

Precisa de hospitais que atendam, escolas que ensinem, ruas seguras, empregos, contas públicas responsáveis e instituições que respeitem os limites de suas próprias competências.

Se, depois de toda a disputa, continuarmos exatamente no mesmo lugar — apenas trocando os personagens e mantendo os velhos problemas — a decepção não será de um lado político.

Será de todos os brasileiros.

A próxima eleição, portanto, não deveria ser apenas sobre quem vencerá.

Deveria ser sobre qual Brasil sobreviverá aos próximos quatro anos.

E essa resposta não estará apenas nas urnas.

Estará nas escolhas e, principalmente, na capacidade de quem for eleito de transformar poder em responsabilidade, promessa em resultado e conflito político em soluções para a população.

Depois da Copa, a eleição. Depois da eleição, virá a decepção.