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quarta-feira, fevereiro 11, 2026
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Quaest: 43% dizem que economia piorou sob Lula

Se Lula fosse um cidadão comum à espera do SUS, poderia já estar sequelado ou morto
© Paulo Pinto/Agência Brasil

A percepção dos brasileiros sobre a economia segue deteriorada, apesar de indicadores oficiais apontarem mercado de trabalho aquecido e inflação dentro da meta ampliada. Levantamento da Quaest, encomendado pela Genial Investimentos e divulgado nesta quarta-feira (11), mostra que 43% avaliam que a economia piorou nos últimos 12 meses. Outros 24% dizem que houve melhora, enquanto 30% consideram que o cenário permaneceu estável.

Os percentuais repetem os números da primeira rodada de 2026, divulgada em janeiro, indicando estagnação na leitura da conjuntura econômica por parte da população.

Expectativas arrefecem

Para os próximos 12 meses, 43% acreditam que a economia vai melhorar — queda de cinco pontos percentuais em relação aos 48% registrados em janeiro. Já 29% projetam piora (ante 28%), e 24% esperam estabilidade (eram 21%). O dado sugere perda de tração no otimismo, ainda que o grupo que aposta em melhora siga numericamente superior ao que prevê deterioração.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Inflação percebida pesa no bolso

O vetor mais sensível da percepção econômica continua sendo o preço dos alimentos. Para 56% dos entrevistados, os valores subiram no último mês — patamar semelhante ao de janeiro (58%), dentro da margem de erro. Outros 24% afirmam que os preços ficaram iguais e 18% disseram que caíram.

A percepção de alta nos supermercados ocorre mesmo com a inflação oficial mostrando desaceleração na margem. Segundo o IBGE, o IPCA subiu 0,33% em janeiro, levemente acima das projeções de mercado (0,32%). No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 4,44%, praticamente estável frente às estimativas (4,43%).

Ainda que o índice anual esteja distante dos picos recentes, a inflação de alimentos — componente de maior visibilidade e frequência de compra — tende a influenciar de forma desproporcional a percepção das famílias.

Poder de compra em retração

O levantamento também captou deterioração no poder aquisitivo. Para 61%, com a renda atual é possível comprar menos do que há um ano — mesmo percentual de janeiro. Apenas 15% afirmam conseguir comprar mais (eram 18%), enquanto 23% dizem manter o mesmo padrão de consumo.

O dado reforça o descompasso entre indicadores macroeconômicos e a economia percebida no dia a dia, especialmente entre as classes de renda mais sensíveis à inflação corrente.

Emprego: percepção negativa contrasta com dados recordes

Questionados sobre o mercado de trabalho, 49% afirmam que está mais difícil conseguir emprego, ante 39% que avaliam estar mais fácil. Outros 5% dizem que a situação não mudou.

A leitura contrasta com os dados oficiais. A taxa média anual de desemprego fechou 2025 em 5,6%, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. O indicador recuou um ponto percentual em relação a 2024 (6,6%) e apresenta queda expressiva frente a 2019, período pré-pandemia.

O desalinhamento entre estatística e percepção pode refletir fatores como qualidade das vagas, informalidade, renda média real e custo de vida — variáveis que impactam diretamente a sensação de segurança econômica.

Sinal amarelo para o governo e para o mercado

A estabilidade na avaliação negativa da economia, somada ao arrefecimento das expectativas futuras, representa um sinal de atenção para o governo federal e para os agentes de mercado. Em ambiente de inflação moderada e desemprego baixo, a persistência da percepção de perda de poder de compra sugere que o ciclo de recuperação ainda não se traduziu integralmente em bem-estar percebido.

Para investidores, o dado reforça a importância do componente político e social na precificação de ativos domésticos, especialmente em um contexto de expectativas sensíveis à renda real e ao consumo das famílias.