CPMI do INSS expõe cruzamento de pressões políticas e judiciais e coloca Lula e Moraes no centro do tabuleiro
A retomada dos trabalhos da CPMI do INSS, nesta quinta-feira (5), recolocou no centro do debate nacional um tema sensível: a intersecção entre poder político, Judiciário e interesses econômicos em meio ao maior escândalo recente envolvendo aposentados e pensionistas.
Logo na abertura da sessão após o recesso, o deputado Marcel van Hattem [Novo-RS] anunciou ter protocolado requerimento para a convocação de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O parlamentar quer esclarecimentos sobre um contrato de R$ 129 milhões firmado pelo escritório de advocacia dela com o Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro e citada nas investigações que apuram fraudes estimadas em ao menos R$ 7 bilhões contra beneficiários do INSS.
Segundo Van Hattem, embora Viviane de Moraes não figure formalmente como investigada, reportagens revelaram a atuação do escritório em movimentações classificadas como lobby, relacionadas à tentativa de aquisição do Banco de Brasília [BRB] pelo Banco Master — operação que hoje está sob intenso escrutínio de órgãos de controle.
VAMOS CONVOCAR A ESPOSA DE MORAES NA CPMI DO INSS!
Apresentei requerimento para convocar a esposa do ministro Alexandre de Moraes para dar explicações à CPMI do INSS sobre o contrato de R$ 129 milhões de seu escritório de advocacia com o Banco Master, que também roubou dos… pic.twitter.com/Xhr9YXuu0p
— Marcel van Hattem (@marcelvanhattem) February 5, 2026
“Que tipo de contrato era esse? Um contrato de advocacia ou de lobby?”, questionou o deputado durante a sessão, ao sustentar que a CPMI não pode ignorar conexões que envolvam agentes públicos de alto escalão, ainda que indiretamente.
No mesmo dia, o presidente da comissão, senador Carlos Viana [Podemos-MG], confirmou que também pretende incluir na pauta os requerimentos de convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente e atual vice-presidente do Sindinapi — sindicato que, segundo o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar [União-AL], está entre os mais beneficiados pelo esquema bilionário de desvios no INSS.
A combinação das convocações eleva o grau de tensão política da comissão e evidencia o delicado equilíbrio institucional que envolve o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal. De um lado, o governo Lula enfrenta pressão para explicar vínculos familiares com entidades citadas no escândalo; de outro, o STF vê seu ministro mais influente indiretamente atingido por questionamentos que extrapolam o campo jurídico e avançam sobre relações econômicas e de poder.
Van Hattem reforçou que a CPMI não pretende recuar diante de nomes influentes. “Vamos até o fim em busca da verdade, doa a quem doer”, afirmou.
Os requerimentos ainda precisam ser aprovados pelo colegiado antes que as convocações se tornem oficiais. Até lá, a CPMI do INSS segue como um dos principais focos de desgaste político do governo e de pressão institucional sobre o Judiciário, num cenário em que Lula e Moraes aparecem, cada vez mais, como atores interdependentes na sustentação do atual equilíbrio de poder em Brasília.





