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Se Lula é o “pai dos pobres”, o Brasil precisa parar de reproduzir a pobreza

São Paulo (SP), 26/06/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita na favela do Moinho. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O discurso político que consagrou Luiz Inácio Lula da Silva como o “pai dos pobres” sempre funcionou bem no plano simbólico, mas falha gravemente quando confrontado com a realidade estrutural da pobreza no Brasil. Afinal, se a paternidade é coletiva, a herança deixada a milhões de brasileiros continua sendo a dependência do Estado, e não a emancipação social.

A pobreza não se reproduz apenas pela falta de renda, mas, sobretudo, pela incapacidade de parte significativa da população distinguir direitos constitucionais de favores políticos. Quando políticas públicas básicas são apresentadas como benesses pessoais de governantes, cria-se um ciclo perverso: o cidadão deixa de ser sujeito de direitos e passa a ser refém do assistencialismo.

A Constituição Federal é clara ao afirmar que todos têm direito à moradia, à saúde, à educação, ao trabalho e à dignidade. Esses direitos não são concessões de governos, muito menos troféus eleitorais. São obrigações permanentes do Estado brasileiro — independentemente de quem esteja no poder.

No entanto, após décadas de projetos políticos que se dizem voltados aos mais pobres, os números continuam alarmantes: cerca de 59 milhões de brasileiros vivem em situação de pobreza, 9,5 milhões em pobreza extrema e 1,9 milhão em condição de miséria absoluta. Esses dados não representam sucesso social; representam a perpetuação de um modelo que administra a pobreza em vez de combatê-la.

A provocação é inevitável: se Lula é, de fato, o “pai dos pobres”, talvez seja hora de interromper essa herança. Não no sentido literal, mas político. O país precisa parar de “produzir filhos da miséria” e começar a formar cidadãos autônomos, conscientes de seus direitos e capazes de romper com a dependência estrutural do Estado.

Combater a pobreza exige mais do que transferências de renda. Exige educação de qualidade, geração de empregos, responsabilidade fiscal, políticas públicas eficientes e, principalmente, respeito à inteligência do povo brasileiro. Sem isso, continuaremos presos a um ciclo em que a pobreza é usada como capital político — e não como um problema a ser definitivamente resolvido.