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quinta-feira, janeiro 22, 2026
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Padre acusado de estuprar 60 crianças de 3 e 11 anos é condenado à prisão

Bernardino Batista dos Santos está afastado do exercício do ofício sacerdotal desde o dia 18 de novembro de 2021. Vítimas tinham entre 3 e 11 anos de idade e sete delas contaram sua história. Imagem: Charles Tôrres via Agência Pública.

Escândalo sacerdotal expõe décadas de abusos: ex-padre é condenado por estupro de mais de 60 crianças em Minas Gerais

Um dos maiores escândalos envolvendo o clero em Minas Gerais veio à tona com a condenação do ex-padre Bernardino Batista dos Santos, de 78 anos, sentenciado a 24 anos e nove meses de prisão em regime fechado por estupro de vulnerável. Segundo a Justiça, os crimes foram cometidos ao longo de mais de quatro décadas, tendo como vítimas mais de 60 crianças, com idades entre três e 11 anos.

As investigações da Polícia Civil revelam um padrão sistemático e contínuo de abusos, praticados entre 1975 e 2016, período em que Bernardino exerceu funções religiosas e educacionais, valendo-se da autoridade sacerdotal, da confiança das famílias e da vulnerabilidade das vítimas.

Além da pena privativa de liberdade, a sentença de primeira instância determinou o pagamento de R$ 30 mil por danos morais. Ainda cabe recurso.

Quatro décadas de silêncio e violência

De acordo com os investigadores, os primeiros abusos ocorreram em uma fazenda no município de Tiros, na região do Alto Paranaíba, em meados da década de 1970. Ao longo dos anos, os crimes se repetiram em diferentes contextos, inclusive durante celebrações religiosas e eventos sociais.

O caso mais recente apontado pela polícia teria ocorrido em 2016, quando uma criança de apenas três anos foi abusada durante um casamento realizado em uma fazenda, episódio que reforçou a gravidade e a longevidade dos crimes atribuídos ao então sacerdote.

Apesar da dimensão dos abusos, a denúncia formal só foi registrada em 9 de agosto de 2024, o que deu início às investigações. Bernardino foi preso em 23 de outubro de 2024, mas acabou colocado em liberdade pouco mais de um mês depois, por decisão judicial, passando a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. Ele aguardou o julgamento solto, condição que gerou indignação entre familiares das vítimas.

Igreja, escola e novas denúncias

Além das ocorrências que embasaram a condenação, há relatos de que outras crianças também teriam sido abusadas enquanto Bernardino atuava como diretor de uma escola infantil e como pároco da Paróquia Nossa Senhora Medianeira e Santa Luzia, na Região Leste de Belo Horizonte.

Somente em 2021, após receber denúncias formais, a Arquidiocese de Belo Horizonte afastou Bernardino de suas funções sacerdotais. O caso levanta questionamentos sobre o tempo de resposta da instituição, o silêncio que cercou as acusações por décadas e os mecanismos de proteção às vítimas.

Um caso que abala a fé e cobra responsabilização

O escândalo expõe não apenas a atuação criminosa de um sacerdote, mas também falhas estruturais de denúncia, fiscalização e proteção de crianças, especialmente em ambientes onde a autoridade religiosa é vista como incontestável.

A reportagem tenta localizar a defesa do condenado. O espaço permanece aberto para manifestação.