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sexta-feira, outubro 9, 2026
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DF registra recorde de cirurgias eletivas e amplia atendimentos na rede pública de saúde

Foto: Olivier Gerbault

Com mais de 36,4 mil procedimentos realizados entre janeiro e julho, Distrito Federal registra crescimento de 35,89% e reduz filas em especialidades como vascular, urologia e tireoide

O Distrito Federal realizou 36.442 cirurgias eletivas entre janeiro e julho de 2026, um aumento de 35,89% em relação ao mesmo período de 2025. Foram mais de 9,6 mil procedimentos a mais em um ano, resultado que elevou a média mensal para 5.206 cirurgias. O maior volume foi registrado em julho, com 6.153 operações, segundo dados da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF).

O avanço da produção cirúrgica ocorre em meio às estratégias para acelerar o atendimento de pacientes que aguardam na fila do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as principais iniciativas está o programa Opera DF, que combina a ampliação da capacidade da rede pública com a contratação de hospitais privados para aumentar a oferta de cirurgias, consultas e exames.

Desde 2025, o programa contabiliza 27.371 cirurgias ambulatoriais e 30.688 procedimentos com internação, destinados a casos de maior complexidade.

Menos espera, mais pacientes atendidos

Os efeitos da ampliação da oferta já aparecem nos indicadores de algumas especialidades. O tempo de espera para vasectomia, por exemplo, caiu de 172 dias para zero. Nas cirurgias de varizes bilaterais, a redução foi de 1.046 para apenas seis dias.

Também houve queda expressiva na espera por tireoidectomias. Para a retirada parcial da tireoide, o prazo passou de 889 para 45 dias. Já na tireoidectomia total, a redução foi de 721 para 108 dias.

Outros procedimentos também registraram melhora. A espera por colecistectomia, cirurgia para retirada da vesícula biliar, diminuiu de 313 para 103 dias. Na ressecção de próstata, o prazo caiu de 116 para 78 dias.

A quantidade de pacientes aguardando por atendimento também recuou. Na fila para cirurgias de varizes bilaterais, o número passou de 1.296 para quatro pessoas. Na tireoidectomia total, caiu de 320 para 27 pacientes. Já nas hernioplastias inguinais, a redução foi de 341 para 59 pessoas; nas umbilicais, de 379 para 78. Para a ressecção de próstata, a fila diminuiu de 193 para 47 pacientes.

Rede privada e incentivos ampliam a capacidade cirúrgica

Para acelerar os atendimentos e ampliar a oferta de procedimentos especializados, a SES-DF adotou mudanças nos valores de complementação pagos sobre a tabela do SUS. Os incentivos buscam atrair prestadores e aumentar a capacidade de realização de cirurgias com maior demanda ou complexidade.

Na cardiologia, os recursos adicionais contemplam procedimentos como implantes de marcapasso e trocas de geradores e desfibriladores. Na ortopedia, incluem operações de quadril e joelho, reconstruções ligamentares e cirurgias de coluna.

A estratégia também alcança oncologia, cirurgia geral, ginecologia e otorrinolaringologia, além de procedimentos videolaparoscópicos, realizados com técnicas minimamente invasivas.

Dos 19.333 procedimentos contratados junto à rede privada, 9.251 já foram realizados, o equivalente a aproximadamente 47,9% do total. Algumas áreas apresentam execução superior à metade da meta contratada: oftalmologia, com 67,35%; cirurgia geral, com 64,93%; e urologia, com 53,99%.

As cirurgias de cabeça e pescoço atingiram 48,71% de execução, enquanto a cirurgia vascular chegou a 48,33%. Para ampliar a oferta ortopédica, a Secretaria estruturou um plano voltado à realização de mais 3.166 procedimentos.

Expansão da assistência

Além de ampliar os contratos e a capacidade de atendimento, o governo do Distrito Federal prevê investimentos na estrutura física da rede de saúde, com a construção de hospitais para reforçar a assistência à população.

Em declaração sobre os resultados, a vice-governadora Celina Leão atribuiu o crescimento às iniciativas de ampliação da capacidade cirúrgica e destacou a existência de pacientes que aguardavam há mais de dez anos por uma operação.

A gestora também anunciou a destinação de R$ 50 milhões para cirurgias ortopédicas. Segundo ela, a medida deverá viabilizar o atendimento de quase 4 mil pessoas que estão na fila por esse tipo de procedimento.

Os números indicam uma ampliação significativa da produção cirúrgica no DF. O desafio, agora, é transformar o aumento da capacidade de atendimento em continuidade na redução das filas, especialmente nas especialidades que ainda concentram demanda reprimida.