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quinta-feira, abril 2, 2026
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Robô sem uso na SES-DF pode ter custado centenas de milhares de reais e vira alvo do TCDF

Cirurgiões usam um robô em uma operação no hospital University College London. Fotografia: Jeff Gilbert/Alamy

Tribunal cobra apuração sobre equipamento não utilizado e possível prejuízo ao erário; caso expõe falhas na gestão de recursos públicos

A aquisição de uma “Solução Robótica” pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, que nunca entrou em operação, passou a ser alvo de apuração do Tribunal de Contas do Distrito Federal por possível desperdício de recursos públicos.

Estimativa de custo com base em compras públicas

Embora o processo não informe o valor da aquisição, levantamentos em contratos públicos similares indicam que equipamentos com características equivalentes — plataformas móveis com transmissão de áudio e vídeo em alta definição, câmeras integradas e uso em telemedicina, rounds clínicos ou suporte assistencial — costumam apresentar valores na faixa de R$ 150 mil a R$ 500 mil por unidade, podendo variar conforme especificações técnicas e fornecedores.

Importante destacar que se trata de estimativa baseada em padrões de mercado público, e não de valor oficial do equipamento citado no processo.

Equipamento sem uso levanta hipótese de prejuízo

O ponto central não é apenas o custo, mas o fato de que o equipamento foi incorporado ao patrimônio público e não está em utilização.

Diante disso, o TCDF determinou que a SES-DF apure as razões da não utilização, a possibilidade de aproveitamento e eventual dano ao erário, caso se confirme inutilização.

Problema maior: bens desaparecidos sem responsabilização

O caso do robô surge dentro de uma Tomada de Contas Especial que já havia identificado bens públicos não localizados desde 2017, ausência de responsáveis identificados e impossibilidade de quantificação do prejuízo.

Na prática, a apuração foi encerrada sem responsabilização, evidenciando fragilidade no controle patrimonial.

A análise se sustenta em princípios clássicos da administração pública. O princípio da eficiência exige que o gasto público gere resultado concreto. A economicidade impõe que os recursos sejam aplicados com retorno à sociedade. Já o controle patrimonial pressupõe rastreabilidade e responsabilidade sobre os bens adquiridos.

Quando um equipamento público não é utilizado, esses três pilares são diretamente comprometidos.

O que o TCDF quer esclarecer

O Tribunal de Contas do Distrito Federal estabeleceu prazo de 90 dias para que a SES-DF esclareça a situação do equipamento, avalie sua utilidade, quantifique eventual prejuízo e adote medidas administrativas cabíveis.

Quando um órgão de controle determina apuração específica sobre um bem não utilizado, o indicativo técnico é de possível falha no planejamento da aquisição ou na execução da política pública.

Possíveis consequências

Caso o prejuízo seja confirmado, gestores podem ser responsabilizados, valores podem ser cobrados de volta e o caso pode ser encaminhado ao Ministério Público.

Um equipamento robótico sem uso adquirido pela SES-DF entrou na mira do TCDF, que quer saber se houve desperdício de dinheiro público em um cenário já marcado por bens desaparecidos e falhas no controle patrimonial.