
A desistência de Ratinho Júnior da corrida presidencial redesenha o tabuleiro interno do PSD e impulsiona a pré-candidatura de Ronaldo Caiado ao Palácio do Planalto. A decisão de permanecer no governo do Paraná, anunciada nesta segunda-feira (23), esvazia uma das alternativas do partido e concentra forças em torno do nome do governador goiano, que passa a ser visto como opção com maior densidade eleitoral para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva.
Internamente, a leitura no PSD é pragmática: Caiado reúne ativos políticos mais claros e exploráveis em uma disputa nacional marcada pela centralidade do tema segurança pública. À frente do governo de Goiás, o governador construiu uma narrativa consistente de combate ao crime organizado, com redução de índices de criminalidade e fortalecimento das forças de segurança — agenda que tende a ganhar protagonismo no debate eleitoral.
Além disso, Caiado agrega outro pilar estratégico: a forte conexão com o agronegócio, setor que mantém elevada influência econômica e política no país. Esse alinhamento amplia seu alcance junto a uma base eleitoral robusta, especialmente no Centro-Oeste, e reforça seu posicionamento como candidato de perfil conservador e gestor.
Com a saída de Ratinho Jr., o PSD reduz o número de postulantes — que ainda incluía Eduardo Leite — e acelera o processo de definição interna. A cúpula do partido, liderada por Gilberto Kassab, avalia que a combinação entre segurança pública eficaz e interlocução sólida com o agronegócio pode transformar Caiado em um adversário competitivo diante de Lula.
No calendário eleitoral, o prazo de desincompatibilização — até 4 de abril — pressiona as decisões políticas. No caso de Caiado, o movimento dentro do PSD indica não apenas viabilidade, mas a construção de uma candidatura com narrativa clara: a de que o enfrentamento ao crime organizado, aliado à força do campo, pode se tornar o eixo central de uma disputa polarizada em 2026.



