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sexta-feira, janeiro 30, 2026
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Rollemberg posa de paladino do impeachment, mas sua gestão no BRB foi marcada por nepotismo, prisões e corrupção

CPI da Saúde para investigar o PSB que criou o IGESDF
Rollemberg, Cristovam e Cappelli posam como paladinos do impeachment em discurso político que contrasta com escândalos envolvendo o BRB.

Rollemberg e o impeachment: quando o acusador deveria estar no banco dos réus da história

Rodrigo Rollemberg [PSB-DF] tenta ao lado de Ricardo Cappelli [PSB] e Cristovam Buarque [Cidadania-DF] ocupar o papel de guardião da moralidade pública e defensor do impeachment como se sua passagem pelo Governo do Distrito Federal fosse imune a questionamentos. Não é. Os fatos — documentados, investigados e judicializados — desmontam essa narrativa com facilidade.

Sob sua gestão, o Banco de Brasília, instituição controlada pelo GDF, foi deliberadamente aparelhado. Em 2015, o estatuto do BRB foi alterado não para aprimorar governança, mas para permitir a nomeação de parentes em cargos estratégicos, em afronta direta aos princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade. A mudança viabilizou que o cunhado do presidente do banco assumisse justamente a Diretoria de Controle — área responsável por auditoria e compliance. Um paradoxo institucional que só se explica pela intenção.

As consequências vieram rápido. A Operação Circus Maximus revelou um esquema estruturado de corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta, com movimentação de centenas de milhões de reais e pagamento milionário de propinas. Diretores indicados na gestão Rollemberg foram presos. Delações premiadas apontaram arrecadador de sua campanha como comandante político do BRB. Tudo isso com aval judicial, decisões fundamentadas e mandados expedidos.

Não se trata de perseguição política, mas de materialidade jurídica reconhecida pelo Judiciário. Há prisões, há investigações, há decisões, há condenações por improbidade administrativa. Há, inclusive, reconhecimento formal de que não se tratou de erro de mercado, mas de gestão temerária e consciente, confirmada por órgãos reguladores como BACEN e CVM.

Rollemberg (PSB-DF) durante evento do BRB ao lado de Vasco da Cunha Gonçalves, preso pela PF por receber suborno. (Foto: Agência Brasília)

Diante desse histórico, o discurso de Rollemberg sobre impeachment não soa como zelo institucional, mas como cinismo político. O impeachment é um instrumento constitucional grave, que pressupõe autoridade moral de quem o defende. Quem governou com um banco público transformado em palco de escândalos não reúne credenciais éticas para posar de fiscal da República.

Antes de acusar terceiros, Rollemberg deveria encarar o julgamento mais duro: o da própria história. Porque, à luz dos fatos, se houve um ambiente que justificava responsabilização política extrema, esse ambiente existiu dentro do BRB durante sua péssima gestão de não reeleição.

Linha do tempo dos escândalos envolvendo o BRB

A sucessão de fatos abaixo, apurados por órgãos de controle e pelo sistema de Justiça,
expõe um padrão recorrente de fragilidade institucional, interferência política e riscos
à governança do Banco de Brasília.


2015
Alteração do Estatuto Social do BRB permite a nomeação de parentes em cargos estratégicos.
A mudança viabiliza a ascensão de Marco Aurélio Monteiro de Castro, cunhado do então presidente
do banco, Vasco Cunha Gonçalves, para a Diretoria de Controle, responsável por auditoria,
compliance e fiscalização interna.

2015–2018
Segundo o Ministério Público Federal, consolida-se um grupo com influência política sobre
a cúpula do banco. Delações apontam Ricardo Luiz Peixoto Leal como articulador das indicações
estratégicas e operador do esquema, com vínculos diretos com arrecadação de campanha do então
governador Rodrigo Rollemberg.

2017–2020
Nomeações cruzadas e relações de parentesco alcançam também subsidiárias do banco, como a
BRB DTVM. Diretores passam a ser investigados por direcionamento de investimentos e possível
favorecimento indevido.

2019
A Polícia Federal e o MPF aprofundam investigações que resultariam na Operação Circus Maximus,
identificando indícios de lavagem de dinheiro, corrupção, gestão fraudulenta e tráfico de
influência envolvendo recursos do BRB.

2020
Deflagração da Operação Circus Maximus. A Justiça Federal aponta movimentação suspeita de
aproximadamente R$ 400 milhões no âmbito do banco, com estimativa de mais de R$ 40 milhões
em propinas. Ex-diretores da gestão Rollemberg tornam-se alvos de mandados de prisão, busca
e apreensão.

2021
Nova fase das investigações apura suposto pagamento de R$ 16,5 milhões em propinas envolvendo
executivos do BRB, empresários e operadores financeiros, com base em delações da Odebrecht,
de Lúcio Funaro e de outros colaboradores.

Decisões judiciais paralelas
Ex-dirigentes do BRB também são condenados em ações de improbidade administrativa por operações
financeiras temerárias envolvendo títulos do FCVS, com reconhecimento judicial de violação
às normas legais, administrativas e regulatórias.



O conjunto dos fatos desmonta a narrativa de moralidade seletiva e lança questionamentos
diretos sobre a legitimidade de discursos políticos que invocam impeachment e combate à
corrupção sem enfrentar o próprio legado administrativo.