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Documento do MPDFT desmente discurso de Rollemberg sobre terceirização da saúde do DF

MPDFT alertou Rollemberg em 2015 sobre riscos legais na política de saúde do DF

Em maio de 2015, ainda no primeiro ano do governo Rodrigo Rollemberg [PSB], o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) expediu ofício formal ao governador alertando para irregularidades estruturais na Secretaria de Saúde do DF e para os riscos jurídicos de mudanças no modelo de gestão então defendidas pelo Executivo.

Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde – PROSUS.

O documento, assinado por integrantes da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (PROSUS), integra o Inquérito Civil Público nº 08190.278232/13-72 e teve como base relatório de auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que apontava falhas na gestão de pessoal, no controle de frequência e no cumprimento de princípios básicos da administração pública.

No ofício, o MPDFT reage diretamente a declarações atribuídas ao secretário de Saúde da época, segundo as quais a administração direta seria “incapaz” de gerir o sistema público de saúde sozinha, mesmo contando com cerca de 34 mil servidores e orçamento elevado. Para o Ministério Público, essa narrativa não poderia servir de justificativa para atalhos administrativos ou para a adoção de modelos de terceirização ampla.

O texto é explícito ao afirmar que a Secretaria de Saúde estava obrigada, antes de qualquer reestruturação ou contratação externa, a sanar as irregularidades apontadas pelo TCDF, em observância aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, economicidade e eficiência.

O MPDFT também fez um alerta direto quanto ao uso de Organizações Sociais e à terceirização de serviços públicos de saúde, registrando que esse tipo de contratação só poderia ocorrer em caráter suplementar, e não como substituição da administração direta — entendimento que, anos depois, se tornaria centro de disputas judiciais e políticas no Distrito Federal.

Na prática, o documento demonstra que o governo Rollemberg foi formalmente advertido, ainda em 2015, de que havia limites legais claros para a condução da política de saúde e de que a crise do sistema não poderia ser instrumentalizada para justificar mudanças estruturais sem correção prévia das falhas administrativas existentes.

Para especialistas em controle externo, o ofício desmonta a tese de desconhecimento ou surpresa por parte do governo e reforça a caracterização de uma escolha política consciente: avançar no discurso de incapacidade da administração direta mesmo diante de alertas institucionais expressos dos órgãos de controle.

O episódio ganha relevância no atual debate político porque evidencia que o discurso moralizante e fiscalista adotado posteriormente por lideranças ligadas ao PSB convive com um histórico documentado de advertências ignoradas na área mais sensível da gestão pública: a saúde.