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quinta-feira, janeiro 22, 2026
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Hospital de Base se torna referência no tratamento com imunoterapia

A imunoterapia dessensibiliza o sistema imunológico, permitindo que o organismo tolere melhor o contato diário com os agentes alergênicos | Fotos: Divulgação/IgesDF

Desde a infância, a estudante Pâmela Kauane, de 19 anos, convivia com crises alérgicas intensas que afetavam diretamente sua rotina. “Minha alergia atacava muito, com coceiras e placas vermelhas pelo corpo. Tinha dias em que eu não conseguia dormir de tanto que coçava. Às vezes, bastava um vento para tudo piorar”, relembra. O cenário começou a mudar após o início do tratamento de imunoterapia no Hospital de Base do Distrito Federal [HBDF], administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF).

“A vacina ajudou bastante, inclusive a diminuir os remédios que eu precisava tomar. Minha alergia era tão forte que chegava a obstruir meu nariz, dificultando a respiração. Hoje, além do controle das crises, sinto uma melhora significativa no meu bem-estar”, relata a jovem.

Pâmela integra o grupo de aproximadamente mil pacientes que recebem mensalmente o tratamento no HBDF. A imunoterapia é indicada principalmente para pessoas com quadros alérgicos graves causados por ácaros e que não apresentam boa resposta ao uso contínuo de medicamentos. O método atua na dessensibilização do sistema imunológico, permitindo que o organismo tolere melhor o contato diário com os agentes alergênicos, reduzindo sintomas como crises de rinite.

Como funciona a imunoterapia

O serviço é destinado a pacientes com idade entre 4 e 60 anos. O encaminhamento para atendimento no Hospital de Base pode ser realizado por qualquer alergista da rede pública de saúde. Assim que o paciente dá entrada na unidade, a imunoterapia pode ser iniciada. Atualmente, não há fila de espera para a aplicação das vacinas.

De acordo com o chefe do Serviço de Alergia, Thales Antunes, a imunoterapia também pode trazer benefícios a pacientes com asma grave e outras alergias respiratórias associadas à sensibilidade a ácaros. “É importante destacar que o tratamento não representa uma cura definitiva, mas proporciona um controle mais eficaz da doença. Durante o uso das vacinas, muitos pacientes apresentam redução significativa ou até desaparecimento dos sintomas”, explica.

Os resultados, segundo o especialista, variam de acordo com cada organismo, mas a maioria dos pacientes apresenta melhora clínica relevante. O tratamento começa com uma fase de indução, com aplicações semanais durante cerca de três meses. Após esse período, as doses passam a ser mensais, com duração total que pode variar de três a cinco anos.

“Esse tempo prolongado é fundamental para que o organismo desenvolva tolerância. Assim, quando o tratamento é encerrado, a expectativa é que, mesmo sem a vacina, o contato com o ácaro cause impactos muito menores na saúde respiratória do paciente”, completa o médico.

*Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)