
A frase atribuída ao líder religioso Jacinto Queiroz, da igreja Homens de Cristo, causou indignação e revolta entre as mulheres. Proferida durante pregação [sermão] religiosa, a declaração foi interpretada como ofensiva, misógina e humilhante, por expor mulheres a julgamento público e reforçar estereótipos que desqualificam a figura feminina, especialmente no contexto conjugal
Segundo relatos ao portal S&DS – Em Defesa da Saúde, Jacinto Queiroz afirmou que “a maioria das mulheres casadas, quando se separa, a primeira coisa que vai fazer é procurar uma academia e uma cirurgia plástica”. Na sequência, teria reforçado o pensamento com a frase que deu título à matéria: “Quer que sua mulher fique bonita? Separe dela!”.
Mulheres que presenciaram os sermões afirmam que esse não foi um episódio isolado. Uma delas, que pediu anonimato por receio de exposição e retaliações, relatou que o líder religioso já teria feito comentários semelhantes em outras ocasiões. Em uma delas, segundo o relato, ele afirmou que “aquilo que sua companheira não lhe dá, quando arrumar outro homem, é a primeira coisa que ela dá” — declaração considerada por fiéis e ouvintes como sexualizada, depreciativa e profundamente ofensiva.
Para as mulheres ouvidas pela reportagem, as falas extrapolam o campo da liberdade religiosa e configuram discurso que naturaliza a desvalorização feminina, culpabiliza mulheres por separações conjugais e reforça uma cultura de controle, humilhação e violência simbólica, sobretudo quando proferida por uma figura que ocupa posição de ‘liderança espiritual’.
A reportagem do S&DS procurou Jacinto Queiroz para que se manifestasse sobre as declarações atribuídas a ele. Em resposta, o líder religioso afirmou que “não tem nada a falar sobre a congregação” e declarou que a equipe estaria “convidada a participar de seus sermões”, sem esclarecer ou negar o teor das falas.
A especialista Marga Junqueira [psicóloga], ouvida pela reportagem avalia que discursos desse tipo, quando partem de ‘líderes religiosos’, possuem alto potencial de dano social, por influenciarem comportamentos, legitimarem desigualdades de gênero e contribuírem para a normalização do constrangimento e da violência psicológica contra mulheres.
O episódio reacende o debate sobre os limites entre liberdade de crença e discursos que promovem discriminação e humilhação, especialmente em um país que registra índices alarmantes de violência contra mulheres e onde espaços religiosos ainda exercem forte influência social e moral.
A reportagem também apurou que os encontros da igreja Homens de Cristo ocorrem em uma residência particular. Por se tratar de um imóvel privado, a equipe do S&DS – Em Defesa da Saúde não foi autorizada a realizar registros fotográficos do local onde acontecem as reuniões religiosas.




