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Pastor, megainvestidor e maior doador de Bolsonaro e Tarcísio vira alvo da PF em escândalo bilionário que mistura fé, política e sistema financeiro

Fabiano Zettel

A segunda fase da operação da Polícia Federal que investiga fraudes no Banco Master expôs um enredo explosivo que une bancos, bilhões, púlpitos e campanhas presidenciais. No centro do escândalo está Fabiano Campos Zettel, empresário, pastor evangélico e maior doador pessoa física das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.

Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi alvo de buscas, apreensões e detenção temporária nesta quarta-feira (14/1), quando tentava embarcar no Aeroporto de Guarulhos com destino a Dubai, nos Emirados Árabes. O episódio ocorreu no mesmo local onde Vorcaro foi detido em novembro, ao tentar deixar o país rumo a Malta.

A ordem foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, após a Polícia Federal apontar risco concreto de destruição de provas e evasão internacional. Para os investigadores, o embarque representava uma “oportunidade única” para apreensão de dispositivos e elementos que reforçariam a participação do empresário em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Embora a PF não detalhe todos os delitos investigados, o pedido enviado ao STF é categórico ao afirmar que a atuação de Zettel envolve múltiplos crimes financeiros, dentro de um esquema que levou o Supremo a autorizar o bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens e valores.

Além da apreensão do celular, Toffoli determinou a retenção do passaporte e proibiu Zettel de deixar o país até o fim das investigações.

O elo bilionário por trás do bolsonarismo paulista e nacional

O caso ganha contornos ainda mais graves quando se observa o papel central de Zettel no financiamento político da extrema-direita brasileira. Em 2022, ele foi o maior doador pessoa física das campanhas de Jair Bolsonaro e do então candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Foram R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio, valores que colocaram Zettel entre os maiores financiadores privados da eleição em todo o país.

À época, sua assessoria alegou que as doações foram feitas “dentro da legislação”, baseadas em “convicções pessoais e valores cristãos”. A legislação eleitoral permite doações de até 10% da renda bruta do ano anterior — mas o escândalo agora lança uma sombra pesada sobre a origem, o contexto e os interesses por trás desses recursos.

Tarcísio afirmou, por meio de nota, que não possui qualquer vínculo com o empresário e destacou que sua prestação de contas foi aprovada pela Justiça Eleitoral. Jair Bolsonaro, mais uma vez, silenciou.

Fé, negócios e poder: o púlpito no centro da crise

Fabiano Campos Zettel

Além de investidor e advogado, Fabiano Zettel atua como pastor evangélico, com passagem por igrejas de grande influência política e midiática, como a Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte.

A Lagoinha é liderada por André Valadão, um dos principais nomes do evangelicalismo bolsonarista no Brasil. Valadão não apenas apoiou Bolsonaro de forma aberta, como mantém relações históricas com a família Vorcaro. Reportagem da revista Piauí revelou que o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, chegou a quitar uma dívida pessoal de Valadão, referente à compra de uma BMW.

Zettel também atuou na igreja Bola de Neve, conhecida por sua estética jovem e discurso moderno — um contraste gritante com o conservadorismo moral frequentemente usado como bandeira política por seus líderes.

Uma teia que expõe a simbiose entre dinheiro, religião e poder

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em 42 endereços, espalhados por São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Entre os alvos estão parentes de Vorcaro, além de empresários de peso do mercado financeiro.

O caso escancara uma teia de relações entre o sistema financeiro, lideranças religiosas e projetos políticos, colocando sob escrutínio um modelo de poder que se sustenta em três pilares: bilhões, fé e influência eleitoral.

Enquanto as investigações avançam, cresce a pressão pública para que Bolsonaro e Tarcísio expliquem não apenas a legalidade das doações, mas o tipo de aliança política e moral que ajudou a financiar seus projetos de poder.

Neste escândalo, não está em jogo apenas dinheiro — mas a credibilidade de discursos que se apresentaram como defensores da moral, da família e da fé, enquanto orbitavam um dos maiores esquemas financeiros sob investigação no país.