20.5 C
Brasília
domingo, fevereiro 1, 2026
Início Destaques Lula não teria cunhão para deportar americanos ilegais em mesma condição que...

Lula não teria cunhão para deportar americanos ilegais em mesma condição que fez Trump

O presidente colombiano, Gustavo Petro, na capital, Bogotá, e o presidente Lula © Ricardo Stuckert/PR

Editorial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva [PT] tentou demonstrar uma postura firme ao lidar com as tensões nas relações imigratórias envolvendo o novo governo de Donald Trump nos Estados Unidos.

Um exemplo recente foi a maneira como o Brasil respondeu à deportação de 88 brasileiros que retornaram ao país em condições consideradas desumanas, incluindo o uso de algemas e relatos de agressões por parte de agentes norte-americanos.

Ao tomar conhecimento da situação, Lula ordenou que a Força Aérea Brasileira (FAB) resgatasse os cidadãos deportados e os levasse até Confins (MG), agentes brasileiros exigiram a retirada das algemas. 

No entanto, diferentemente da postura assertiva de Trump, que adotou medidas duras contra imigrantes ilegais, Lula optou por uma abordagem mais diplomática e menos confrontacional. O presidente brasileiro não buscou retaliações ou medidas de reciprocidade, como a deportação de americanos em situação irregular no Brasil. Em vez disso, priorizou o diálogo e a defesa dos direitos humanos, convocando o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, para exigir explicações sobre o tratamento dado aos brasileiros deportados – que não vai mudar em nada – a postura norte americana. 

O chanceler Mauro Vieira, em sintonia com a visão de Lula, reforçou que o Brasil não admitirá o uso de algemas em deportados em solo brasileiro, mas descartou o envio de aeronaves da FAB para resgatar futuros deportados.

Vieira destacou que a responsabilidade pelo transporte desses cidadãos cabe ao governo americano, mantendo uma postura de respeito aos acordos bilaterais estabelecidos em 2018 e 2021, que regulamentam essas operações.

A postura de Lula reflete o papel do Brasil como um ator global que busca equilibrar a defesa de seus interesses nacionais com a manutenção de relações diplomáticas sólidas, mesmo diante de desafios complexos. Enquanto Trump adota uma política externa mais agressiva e unilateral, Lula tenta reforça a importância do multilateralismo e do diálogo, posicionando o Brasil como um mediador que tenta ser respeitado no cenário internacional.

Essa abordagem contrasta com a crise diplomática gerada pela recusa da Colômbia em receber cidadãos deportados em um avião militar dos EUA, que quase levou a uma guerra comercial entre os dois países.

O Brasil, sob a liderança de Lula, tenta demonstrar que é possível lidar com situações delicadas sem escalar conflitos, lógico, o que seria um grande prejuízo comercial para o Brasil.