O Fetiche da UTI, como salvar a saúde do DF

O sistema de saúde ideal imaginado pela maioria dos brasileiros existe de forma comparada com o que se imagina do sistema norte-americano, é cheio de tecnologia de ponta, com aparelhos de diagnóstico complexos, modernos e com alta tecnologia agregada, ou seja, o sistema de saúde ideal é, portanto, de alta-complexidade. O fetiche da UTI ou a idealização da alta-complexidade é um dos problemas que faz com que a atenção primária não receba o investimento adequado evitando que os problemas de saúde da população sejam solucionados antes que se complexifiquem pela falta de uma atenção primária de qualidade.

Foi realizada na CLDF uma Audiência Pública convocada pela deputada Arlete Sampaio (PT), na segunda-feira (18/02), com o tema “Qual o modelo assistencial capaz de tirar a saúde pública do DF da UTI?”. A audiência contou com a presença do secretário de saúde Osney Okumoto e de várias autoridades da saúde do Distrito Federal como subsecretários, presidentes de sindicatos, deputados interessados em problematizar o tema da saúde, representantes de conselhos de classe, bem como servidores e usuários da saúde.

Nessa ocasião se afirmou de várias formas e tons que a saúde pública do DF tem sido relegada ao caos da falta de insumos, equipamentos, recursos humanos e abandono estrutural. Tais afirmativas foram as bandeiras legitimadoras das medidas emergenciais envidadas pelo governador Ibaneis (MDB) para resgatar a saúde por meio do seu “SOSDF saúde” com o qual a maioria dos presentes concordou.

Defendeu-se por parte do secretário que muito se fez nesses primeiros 45 dias de medidas emergenciais mas que é necessário trabalhar em conjunto com a saúde complementar para gerar economicidade e excelência no que diz respeito a atender à população e que sem o modelo de gestão em parceria público-privada não será possível resolver o problema da crise na saúde.

Por parte dos servidores e representantes das categorias presentes defendeu-se maior investimento na saúde pública, na educação e capacitação dos profissionais com incentivos financeiros para os profissionais de carreira em vez de abrir a saúde pública para o modelo de gestão privada. Também se defendeu centrar o foco na atenção primária para desafogar a alta-complexidade, para que a população deixe de querer ser atendida pela UTI e passe a pensar em promoção de saúde nos programas de saúde da família.

Apesar das discordâncias sobre qual seria o melhor modelo de gestão para a saúde do DF, todos concordam que é preciso resgatar a saúde e que fortalecer a atenção primária seria o primeiro passo para uma saúde de maior qualidade e mais próxima da população. O consenso dessa Audiência Pública foi que a saúde pública no DF está na UTI e que precisa de socorro urgente mas que a solução começa na atenção primária.

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