Gestão médica na saúde, um modelo médico centrado falido

Por: Ivan Rodrigues

laformadelconocimientoHistoricamente a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), tem sido comandada por gestores da especialidade médica. O que talvez nunca se tenha refletido é que assim como alguns profissionais  estudam para tratar e curar pessoas, existem profissionais que estudam para administrar estruturas.

A história da administração é talvez tão antiga quanto à da medicina, os registros mais antigos foram identificados na Suméria por volta do ano 5.000 a.C. A administração é baseada em  princípios, normas e funções elaboradas a fim de disciplinar os fatores de produção, tendo por objetivo maximização de lucros  ou a adequada prestação de serviços públicos pelo menor custo com maior eficiência.

Acredito que as habilidades mais especiais de um administrador, não são as habilidades técnicas ou as habilidades humanas, mas as habilidades conceituais, principalmente a capacidade de ter uma visão sistêmica, haja vista que em uma estrutura complexa como da Secretaria de Saúde, essa habilidade é mais que essencial, pois é através dessa visão holística, sistêmica que as várias frentes de trabalho podem ser analisadas como partes de uma engrenagem única que precisa funcionar como um relógio, em perfeita sincronia.

As principais atribuições do cargo de administrador são planejar, coordenar, controlar e avaliar. Não é coincidência que sejam esses os principais gargalos da gestão da SES-DF. Ora, se médicos estão desenvolvendo funções administrativas e administradores passam seus dias apenas executando trabalhos burocráticos, escrevendo memorandos e despachos e a gestão da SES-DF beira o caos, é notório que algo está errado.

Primeiro, por que faltam médicos nos hospitais; segundo, são excelentes como médicos, mas, já não mostram tanta competência como gestores, exatamente porque não foram qualificados para exercer essa função; em terceiro lugar, o mais absurdo, um médico custa pelo menos três vezes mais que um administrador e 5 vezes mais que um técnico administrativo ao Estado.

A saúde do Distrito Federal precisa rever seus conceitos quanto ao modelo de gestão adotado, precisamos estabelecer a Gestão Compartilhada, onde cada um exerce o papel para o qual foi qualificado e todos decidem juntos, através de colegiados regionais de Gestão Compartilhada composta pelas diversas categorias profissionais existentes na estrutura, como administradores, enfermeiros, odontólogos, biólogos, nutricionistas, assistentes sociais, médicos, psicólogos, fisioterapeutas e técnicos de todas as áreas, todos temos muito a contribuir!

Na Gestão Compartilhada as decisões serão tomadas considerando as várias óticas e experiências, mas com o único objetivo de atender ao usuário com excelência.

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