A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília [BRB], Paulo Henrique Costa, nesta quinta-feira (16), em nova fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal, amplia a pressão sobre a gestão passada da instituição e reforça o discurso do atual governo de que é preciso “passar o banco a limpo”.
No centro das investigações estão suspeitas de falhas graves de governança, com a realização de operações consideradas de alto risco envolvendo o banco Master, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo apurações, negócios teriam sido firmados sem lastro — isto é, sem garantias suficientes que sustentassem seu valor —, o que, em tese, expõe o BRB a prejuízos e compromete a segurança financeira da instituição pública.
À frente do Palácio do Buriti há pouco mais de duas semanas, a governadora Celina Leão adotou um tom de ruptura e sinalizou endurecimento. Em nota oficial divulgada após a prisão, afirmou que o governo vem colaborando com as autoridades e conduzindo auditorias internas para mapear a real situação do banco.
A estratégia, segundo interlocutores do governo, é dupla: de um lado, produzir um diagnóstico técnico detalhado sobre contratos, operações e eventuais fragilidades nos mecanismos de controle; de outro, assegurar que eventuais responsáveis por irregularidades sejam identificados e responsabilizados.
A posição de Celina Leão, conforme a manifestação oficial, é inequívoca: “tudo deve ser investigado”. Nos bastidores, a leitura é de que o episódio pode marcar um ponto de inflexão na condução do BRB, com revisão de práticas, reforço de compliance e reavaliação de parcerias consideradas sensíveis.
A operação Compliance Zero ainda está em andamento, e as investigações buscam esclarecer a extensão dos supostos desvios e os impactos financeiros decorrentes das operações sob suspeita. Até o momento, a defesa dos citados não havia se manifestado publicamente sobre as acusações.





