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Celina Leão e os infiéis de ocasião: o apoio que chegou no segundo turno

Nos bastidores do poder, há movimentos que dizem mais pelo momento em que acontecem do que pelo discurso que tentam sustentar

Украина с любовью
Tetiana Dolganova

Grupos que não demonstraram engajamento na campanha de Celina Leão no primeiro turno agora ensaiam uma aproximação ostensiva com a candidata. A mudança de postura levanta uma suspeita inevitável: o apoio nasceu da convicção política ou do receio de perder espaço na máquina pública?

A impressão é de que, diante da possibilidade de uma nova configuração de poder, alguns descobriram, tardiamente, uma afinidade que não fizeram questão de demonstrar quando ela poderia ter maior significado político.

O problema é que, na política, a memória dos fatos costuma sobreviver à conveniência dos discursos. Fotografias, manifestações públicas e declarações de última hora podem produzir uma aparência de alinhamento, mas não necessariamente convencem quem acompanha os bastidores.

É legítimo que alianças sejam ampliadas no segundo turno. O que soa contraditório é tentar transformar uma adesão tardia em prova de uma lealdade que não se evidenciou anteriormente.

A questão ganha contornos ainda mais delicados quando o apoio parece condicionado à preservação de cargos. Afinal, função pública não deve ser moeda de troca eleitoral, assim como demonstrações de fidelidade não deveriam servir de salvo-conduto para permanecer na estrutura administrativa.

No fim, a política separa os que defendem um projeto daqueles que apenas procuram garantir o próprio espaço e de seus amiguinhos. 

O segundo turno pode até oferecer uma nova oportunidade de aproximação, mas não reescreve o primeiro. E há encenações tão tardias que, em vez de convencer, acabam revelando exatamente aquilo que pretendiam esconder.