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Presidente do Banco Central nega à CPI ter conversado com Moraes sobre o Banco Master

Saulo Cruz/Agência Senado. Fonte: Agência Senado

Em depoimento à comissão do Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que a situação do Banco Master fosse conduzida exclusivamente sob critérios técnicos pela autoridade monetária. A declaração foi dada no âmbito da CPI do Crime Organizado.

>>>Galípolo também esclareceu encontros com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, negando qualquer interlocução sobre o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo BC em novembro de 2025. Segundo ele, as reuniões trataram unicamente dos impactos da chamada Lei Magnitsky, legislação que embasa sanções internacionais, e envolveram temas sensíveis como privacidade e sigilo bancário. “Todos os temas com a Suprema Corte eram sempre relacionados com isso”, afirmou.

No depoimento, o chefe do BC detalhou ainda uma reunião no Palácio do Planalto que reuniu, além de Lula, o banqueiro Daniel Vorcaro, acionistas do Master, os ministros Rui Costa e Alexandre Silveira, além do ex-ministro Guido Mantega, então consultor da instituição. De acordo com Galípolo, representantes do banco atribuíram as dificuldades de captação a uma suposta resistência do mercado financeiro.

Ainda segundo o relato, Lula teria afastado qualquer ingerência política no caso, afirmando que a condução caberia ao Banco Central e deveria seguir parâmetros estritamente técnicos — posição reiterada por Galípolo ao longo de sua fala na CPI.

Questionado sobre sua relação com Moraes, o presidente do BC descreveu o contato como institucional e cordial, negando conversas telefônicas recentes ou qualquer interação com a advogada Viviane Barci de Moraes, que atuou para o Banco Master. Ele reforçou que o único tema tratado com integrantes do STF foi a repercussão das sanções impostas pelos Estados Unidos em 2025, consideradas por ele de potencial risco sistêmico.

Ao abordar a condução do caso Master, Galípolo afirmou que não há, até o momento, auditorias ou sindicâncias que atribuam responsabilidade ao ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto. Ele reconheceu, contudo, que a própria autoridade monetária ainda é alvo de questionamentos quanto ao momento da liquidação da instituição.

Segundo o dirigente, o Banco Master enfrentava deterioração de liquidez desde janeiro de 2025. À época da intervenção, a instituição dispunha de apenas 10% dos recursos necessários para honrar seus compromissos imediatos. Galípolo sustentou que a decisão seguiu rigorosamente os protocolos legais e técnicos, embora continue sendo analisada por órgãos de controle.

O caso também alcança o próprio Banco Central. Dois servidores foram afastados e são investigados por suspeitas de favorecimento à instituição financeira. As apurações indicam possível atuação indevida em processos regulatórios, incluindo orientação estratégica ao banco, revisão de documentos, vazamento de informações sigilosas e recebimento de vantagens.

O depoimento ocorre na fase final da CPI do Crime Organizado, que busca identificar eventuais conexões entre falhas de supervisão bancária e a atuação de organizações criminosas no sistema financeiro. Convocado pela comissão, Campos Neto não compareceu — pela terceira vez consecutiva — às oitivas do colegiado.