Início Destaques Explosão de ações judiciais por hemodiálise coloca SES-DF sob monitoramento do TCDF

Explosão de ações judiciais por hemodiálise coloca SES-DF sob monitoramento do TCDF

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, determinou providências imediatas à Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal após o avanço da judicialização envolvendo sessões de hemodiálise na rede pública.

O aumento expressivo de decisões judiciais obrigando o Governo do Distrito Federal a garantir sessões de hemodiálise a pacientes com doença renal crônica levou o Tribunal de Contas do Distrito Federal [TCDF] a intensificar o acompanhamento da política pública de Terapia Renal Substitutiva [TRS] no DF.

A fiscalização teve origem na Representação nº 40/2022-G2P, apresentada pela procuradora do Ministério Público junto ao TCDF, Cláudia Fernanda de Oliveira Pereira, diante da elevada judicialização do serviço — indicador clássico de insuficiência na oferta assistencial.

Judicialização como sintoma de falha estrutural

A hemodiálise é tratamento vital e contínuo. Quando o Estado não assegura vaga regular ao paciente renal crônico, a consequência imediata é o acionamento do Judiciário.

Segundo avaliação técnica no processo nº 00600-00008503/2022-79-e, o volume de ordens judiciais revelou fragilidades no planejamento da rede, especialmente quanto:

  • à capacidade instalada;

  • à gestão e manutenção de equipamentos;

  • à previsibilidade da demanda;

  • à governança operacional da TRS.

O acompanhamento envolve diretamente a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal e o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, responsável pela gestão de unidades hospitalares estratégicas.

O que decidiu o Tribunal

Por unanimidade, o TCDF decidiu:

  • reconhecer parcialmente o cumprimento de determinações anteriores;

  • alertar a SES-DF e o IGESDF;

  • recomendar ajustes no Plano de Ação nº 02/2025;

  • determinar que haverá inspeções regulares para acompanhar a execução das medidas.

Não houve aplicação de multa ou sanção. O enfoque foi preventivo e corretivo.

O ponto crítico: ciclo de vida das máquinas de hemodiálise

O Tribunal identificou necessidade de revisão do Plano de Ação para que ele contemple todas as etapas do ciclo de vida dos equipamentos de TRS, incluindo:

  • aquisição;

  • instalação;

  • manutenção preventiva;

  • manutenção corretiva;

  • substituição tecnológica;

  • gestão de obsolescência.

Falhas nesse ciclo costumam resultar em máquinas paradas, redução de vagas e, consequentemente, mais judicialização.

Monitoramento contínuo

O TCDF deixou claro que os prazos e medidas previstos no Plano nº 02/2025 serão fiscalizados de forma concomitante. Isso significa acompanhamento em tempo real da evolução do serviço, e não apenas controle posterior.

Na prática, a política de hemodiálise no DF entra em regime permanente de vigilância institucional.

Impacto para a população

Para os pacientes renais crônicos, a decisão sinaliza que o Tribunal reconhece o problema estrutural e exige ajustes administrativos para evitar que o acesso ao tratamento dependa exclusivamente de decisões judiciais.

A judicialização, segundo avaliação técnica no processo, não é causa — mas consequência de gargalos na gestão.

O desafio agora é transformar o Plano de Ação em instrumento efetivo de reorganização da rede, sob fiscalização direta da Corte de Contas.

Segundo apurou o portal S&DS, o chefe do Executivo exigiu da pasta um plano para garantir a regularidade da Terapia Renal Substitutiva (TRS), com foco na ampliação da oferta de vagas, manutenção dos equipamentos e redução das ações judiciais. A cobrança ocorreu em meio ao monitoramento do caso pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal, que já alertou a secretaria e o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal para ajustes estruturais na política de atendimento aos pacientes renais crônicos.