ALUNOS DA ESPECIALIZAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA FIOCRUZ/BRASÍLIA DIALOGAM COM ÍNDIOS NO 15º ACAMPAMENTO TERRA LIVRE – 2019

Da Redação do S&DS

Brasília - dois mil índios protestaram contra a municipalização da saúde indígena


15º Acampamento Terra Livre

O 15º Acampamento Terra Livre – 2019: Resistimos há 519 anos, que ocorreu  em Brasilia, nos dias 24 a 26 de abril, reuniu a maior assembleia de povos originários do Brasil.

Mais de dois mil índios protestaram contra a municipalização da saúde indígena, alterações no processo de demarcação de terras, que foi transferido para o Ministério da Agricultura e contra a mudança da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos. Durante a assembleia houve encontros específicos de mulheres, idosos e de jovens indígenas, com suas próprias reivindicações.

A Fiocruz Brasília, por meio da Coordenação do curso de especialização em Saúde Coletiva, dirigida pelas professoras Tatiana Oliveira Novais e Maria do Socorro de Souza, propuseram o diálogo e a vivencia dos alunos da turma de Saúde Coletiva/2019 com os índios do 15º Acampamento Terra Livre: Acampamento Terra Livre – 2019.

As alunas Lucicleide Lima, Lo-ruama e Eunice Lima, da especialização em Saúde Coletiva da FIOCRUZ, entrevistaram o Cacique Syratã Pataxo, da aldeia Pataxo kartenig da Reserva Indígena da Jaqueira, e fizeram as seguintes abordagens:

Lucicleide Lima: O Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB) tem alocados médicos na aldeia indígena Pataxo kartenig e como é a atuação desse médico na saúde indígena?

Sim, aldeia indígena Pataxo kartenig tem recebidos médicos do Programa Mais Médicos que atuam na atenção básica, os médicos passam de 15 a 20 dias na aldeia e depois vão para cidade para estudar a especialização em saúde indígena, temos tido acolhimento, sobretudo dos médicos cubanos, o atendimento englobam a aplicação de vacinas até o tratamento integral, onde os médicos dão orientações de saúde, ensinam a prevenir as doenças, etc.
Cacique Syratã Pataxo

Lo-ruama: Sobre a saúde indígena, quais são os pontos positivos, e o que podem melhorar no atual cenário?

Nos últimos meses a gente vivenciou um desrespeito às populações indígenas, que foi a proposta do Ministério da Saúde em municipalizar a saúde, sabemos que nem todos os secretários estaduais e municipais de saúde tem um diálogo positivo com a população indígena local, muitas lideranças indígenas morreram em filas de hospitais, sabemos que a secretaria estadual e municipal de saúde tem atendimento precários com a população não –indígena, mais mesmo assim o atendimento à saúde aos povos indígenas tem chegado as bases,  no atual governo temos pouca abertura de diálogo, mais temos o apoio da comunidade não indígena para vencermos os obstáculos.
Cacique Syratã Pataxo

Eunice Lima: Como a comunidade indígena tem reagido à municipalização da saúde?

A proposta de municipalizar a saúde indígena tem sido visto pela comunidade indígena como uma forma de enfraquecimento das estruturas aos índios no Brasil, fizemos uma mobilização para que o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, desistisse de acabar com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), se isso acontecesse o subsistema de atenção à saúde indígena que permite o atendimento médico dentro e fora das aldeias também iria acabar, gerando uma desassistência aos povos indígenas.
Cacique Syratã Pataxo

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