CNJ investiga Moro por possível atuação política ao aceitar ministério de Bolsonaro

O corregedor nacional de Justiça, Humberto Martins, iniciou um procedimento investigatório sobre possível atuação política do juiz federal Sérgio Moro, até recentemente responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba (PR), em sua indicação para ser ministro da Justiça a partir de 2019, no governo Jar Bolsonaro (PSL). Moro já é investigado pelos mesmos motivos (suposta atuação política) em outro caso, relativo à liberação de áudios de telefonema entre os ex-presidentes petistas Dilma Rousseff e Lula, mas esse processo tem sido recorrentemente adiado.

 

Em lance que, de um lado, foi visto como um acerto de Bolsonaro, e de outro deu munição para acusações petistas, Moro aceitou o convite do presidente eleito na semana passado. Ele vai comandar o chamado “superministério” que unirá Justiça e Segurança Pública a partir de janeiro de 2019. As pastas são atualmente chefiadas por Torquato Jardim e Raul Jungmann, respectivamente.

 

O desembargador Humberto Martins resolveu dar andamento ao processo depois que entidades, partidos e cidadãos brasileiros ajuizaram representações contra Moro no CNJ. Todas as ações civis apontam atuação política do juiz, pois aceitou o cargo de ministro ainda investido das funções de magistrado. Pesa na questão o fato de que Moro condenou e levou à prisão o ex-presidente Lula quando o petista tinha cerca de o dobro das intenções de voto de Bolsonaro na maioria das pesquisas de intenção de voto.

 

A partir da decisão do CNJ, que conta a partir desta sexta-feira (9), o juiz terá prazo de 15 dias para prestar esclarecimentos. Moro, que está de férias alegadamente legais, só pode assumir o posto de ministro depois de ser exonerado dos quadros da magistratura.

 

Ele nega ter agido politicamente durante mais de 20 anos como juiz e chegou a dizer, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em novembro de 2016, que jamais entraria para a política. Na última segunda-feira (5), Moro afirmou que exerceria uma missão técnica e voltou a recusar a versão de ingresso no mundo político.

 

“Eu, aqui, faço uma respeitosa divergência. Não me vejo ingressando na política, ainda como um político verdadeiro. Para mim, é um ingresso em um cargo que é predominantemente técnico”, discursou Moro em uma palestra na capital paranaense, em evento sobre o mercado de construções sustentáveis.

 

Fábio Góis

Repórter do Congresso em Foco desde 2007, atuou antes como jornalista de cultura e assessor de imprensa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), entre outras instituições. Em 2014, integrou a equipe do Broadcast Político, serviço de reportagem em tempo real do jornal O Estado de S. Paulo.

Leave a Comment